Quis este curioso mundo compor uma história com tantos erros e traições que, quem de longe a folhear como um romance, não pode deixar de sentir um certo gozo no fim da leitura, derivado sem dúvida de um voyeurismo sádico ao contemplar as personagens cada vez mais presas numa espiral de ilusões criada pelas paixões que a alimentam…pelo requinte das pequenas ironias que precipitam tragédias de sangue…
Quis este curioso mundo que a minha mãe traísse o meu pai de forma tão categórica e total que, desde que se apercebeu desse facto, surgiu no rosto do meu pai uma expressão de espanto e incredulidade cruzada com o esgar irónico de auto comiseração no rosto…expressão que o acompanhou e caracterizou até à sua velhice.
A missão da agente infiltrada Catarina era de facto imiscuir-se entre os americanos de Vladivostoque e obter informações por todos meios necessários. Estas informações não eram transmitidas em Morse através de pequenos emissores…os tempos eram outros. Seguiam em código dissimulado como cartas para uma prima emigrada para o México…e daí iam parar ás redes da embrionária inteligência militar Soviética.
Mas Oh, desígnios misteriosos e efémeros da natural condição humana…quando a minha mãe foi escoltada à sala do capitão Moe, como a sua fé revolucionária vacilou perante a figura máscula e brilhante do homem sentado por de trás da secretária…
Um sorriso franco e confiante, jovem como a nação Americana da sua proveniência, quase como que roubado aos gentílicos Índios, filhos do paraíso terrestre, inocentes e virgens…Vacilou a fé revolucionária da minha mãe mas nada vacilou no interior das calças khaki do meu pai.
E enfim, deste modo, minhas Caríssimas Leitoras, nasceu o vosso servo Zizinski Moe.